Isto de contar histórias de viagens e aventuras é muito giro, mas ao fim e ao cabo a maior parte do nosso tempo é passado na vida do "dia a dia", aquela onde muito pouco acontece para além do "hábito". Como tive a sorte de mudar de quotidiano e como já se passaram 2 semanas desde a mudança, posso dizer que já sei o que é o meu dia-a-dia aqui. Sendo assim posso-vos mostrar onde passo as minhas 24h normais nos USA.Perdoem-me a egocentricidade... ________
O meu quarto, não é pequeno, é acolhedor. Dotado de uma escrevaninha e de uma cama, tem prateleiras suficientes para pôr toda a roupa que poderia estar num guarda-roupa. Estando equipado com três ou quatro cabides as camisas dificilmente ficarão enrrugadas se forem tratadas com zelo. Vem equipado com termóstato em Fahrenheit (irreverentezinho) e situa-se preferenciavelmente entre os 68 e os 70 ºF. Todas as manhãs vêem com novas toalhas, um tubito de champoo, um de gel de banho e um de creme de corpo e ainda a cama feita. Chique! A vista dá para o lago e para umas árvores catitas. De vez em quando vêem-se uns patos e gansos a migrar pró Brazil, em busca de off-shores. (na foto não se vê porque é de noite e eles devem estar a dormir)
Todas as manhãs quando acordo vejo a luz ao fundo do túnel a caminho para a casa de banho. Estou a dormir no Blackford Hall building, mesmo por cima da cantina do campus, e dois andares acima do bar. Agora que o laboratório está aberto não morro à fome de certeza. Até agora este corredor é só para mim.Não há mais hóspedes e as únicas pessoas que encontro são as mulheres de limpeza. Como a maior parte dos que trabalham na limpeza, na cantina, na jardinagem são ou latinas ou africanas. Os ocidentais não costumam gostar muito destes trabalhos...
Chegado à casa de banho aqui está o chuveiro. Vocês já viram como a sanita é, agora apresento-vos o chuveiro ! A inspiração deve ter vindo do "cartier" nobre da capital holandesa, pois como podem ver, o chuveiro vem incluido com o tom de vermelho "porno", lâmpada e exaustão, tudo sem interruptor. Aqui não podem ver, mas a torneira para o chuveiro não vem em tons de água quente/água fria. Não percebi muito bem ainda como funciona a coisa mas entro sempre 5 minutos antes de tomar banho, rodo o manípulo e espero até que a água fique quente. Não sei quem decide o que é quente ou morno mas de certo não sou eu. Não há free-will no duche matinal. Para os que ainda se estão a perguntar o que raio é que está ali a fazer a lâmpada vermelha eu digo-vos... é para fazer calor quando a gente sai do duche, tipo para assar frango, estilo forno eléctrico. É bom, mas não convém ficar muito tempo ali debaixo pra não queimar o cucuruto.
No próximo post mostro-vos o lugar onde trabalho. Até lá.
Alguma vez se indagaram, enquanto viam os filmes americanos tipo Beethoven ou os 101 Dálmatas, porque raio é que os cães (ou os gatos) iam beber água à sanita? Nunca? É normal, vocês não são pessoas assim tão estranhas...Mas se pensarem um pouco no assunto... não faz muito sentido!
Eu nunca percebia o porquê, nem como é que o raio dos animais iam à sanita beber água. Pensava eu que se alguma vez o meu gato quisesse ir beber água à sanita iria ser uma carga de trabalhos!!
É que a água está lá bem no fundo, e decerto que ele iria ter de saltar bem lá para dentro, fazer os alongamentos necessários para lá chegar para depois ter de manter o equilíbrio na cerâmica da Revigrés, correndo o perigo de patinar e afundar a cabeça mesmo em cheio no meio do pia!
Mas nos filmes os cãezinhos apenas se debruçam e voilá, começam logo a beber, e os gatinhos saltam pra cima da tampa e com o mínimo esforço (se suficientemente ágeis) conseguem finalmente a sua recompensa!
Não fazia sentido! Os cãezinhos e gatinhos na América deveriam ter umas grandes linguiças!!
Pois meus amigos, eu desvendo-lhes o mistério!!
É que aqui na América a água da retrete vem bem até cá acima, depois de se puxar o autoclismo. E fica lá. Sempre em cima, como um grande lago. Em todas as sanitas de todas as casas dos USA há um grande lago. Sempre até cá acima. Claro que com um lago destes não é díficil imaginar os cãezinhos e os gatinhos a ir beber à sanita, sem muito esforço. Com um pouco de imaginação, até se poderiam vislumbrar aquelas cenas do Discovery Channel, com as girafas e as gazelas e logo depois os leões e os crocodilos a rumarem todos os dias para o mesmo lago, e a desenvolver complexas interações interespecíficas naquele ecossistema!
Quanto ao propósito último de uma sanita... não partilho grande opinião em termos da viabilidade desta cota de água. Sei que mais água se gasta (não se consegue muito bem controlar o autoclismo, aquilo ou deita, ou não deita, não dá pra deitar poucochinho e depois enche como tudo). Depois há sempre a questão dos salpicos, uma coisa quase inevitável , que torna díficil e desagradável a um homem que preza fazer as coisas como um homem que se preze faz (portanto, mijar em pé)! Sei também que após o serviço (qualquer que ele seja) o resultado é sempre muito, mas mesmo muito mais grotesco!
Acordei hoje em Harlem por uma razão simples. Não fui à procura de nada por ali, nem sabia muito bem o que era Harlem, só tinha ouvido falar por alto, sabia que era o bairro negro mais famoso da América. Só não sabia mesmo porquê. Simplesmente acordei hoje em Harlem porque encontrei um hostel na 129th Street com quartos a 8euros.(http://www.hostelbookers.com/booking/index.cfm?hostel=12952&fuseaction=hosteldetails )
É certo que partilhei a espelunca de quarto com mais 13 viajantes, (asiáticos, latinos, indianos, alemães) e é certo também que nem todos ressonavam assim por aí além, só alguns. O resultado, claro está, é que comecei a minha passeata bem cedo. E nem que seja por isso valeu bem a pena. Volto lá da próxima vez que quiser passar uma manhã em Manhattan.
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Ao fundo fotos de Mandela, Luther King e Malcom X. Em Harlem a comunidade vai buscar forças aos seus líderes de sempre. É da dureza do passado que se faz o exemplo. Por todo o lado se vê uma real tentativa de tornar aquele canto um cantinho um pouco melhor, embalado por tudo aquilo que já se fez e por tudo o que se pode ainda fazer. Harlem é um esforço social.
E com jeitinho a coisa até se contrói. Esta é uma parte do bairro que está em bom estado e tem um charme diferente. Hoje em dia Harlem é um misto de proprietários endinheirados com o pessoal do costume. Neste caso não sei dizer quem é que vive nesta ruazita maneirinha, se uns se outros.
Pode-se dizer que a 125th Street é a mais emblemática de Harlem. E na 125th Street o local mais emblemático é sem dúvida alguma o Apollo Theater. Aqui foram lançados nomes como Ella Fitzgerald, Billie Holiday, James Brown, Jackson 5 ( com o freak mais novo incluído) Lauryn Hill e até a gorda da Mariah Carey. Se duvidam, procurem no youtube.Aliás, os "clubs" de Harlem foramalco para todos o grandes do Jazz e do Soul. Elington, Coltrane, Miles Davis, Charlie Parker, James Brown, e todos os outros de que nunca ouvi falar.
E na mesma 125th street...palavras para quê...outro grandioso artista. Quando vi este figurão fiquei mais aliviado. Harlem é um sítio completamente seguro se este tipo anda a cirandar por lá!
YMCA. Ainda não percebi muito bem esta paneleiragem do YMCA mas achei piada e fotografei o sítio.
Daqui a vista que se tem do Starbucks da Lenox St com a 125th. Áquela hora da manhã precisei de beber algo com café. Serviram-me uma granda Moka. Os starbucks são como as baratas, estão em todo o lado e há algo neles que cheira mal. Mas de vez em quando dão muito jeito. Só em meados da década de 90 é que os "franchises" de tudo e mais alguma coisa invadiram esta zona. As coisas que a wikipedia ensina...
Esta igreja é a Abyssinians Baptist Church. Fui lá para ouvir um Gospelzito matinal, diz que lá era bom. Quando lá cheguei já havia uma fila de turistas (racialmente segregada, há que dizer). Pensei logo que o caso estava mal parado, mas àquela hora deixei-me estar. E devo-vos dizer que valeu bem a pena. Não só foi bom ouvir o Gospel mas fiquei também a descobrir que esta igreja foi um polo de actividade política extremamente importante na história afro-americana. E tudo isso descobri na Missa. Sem saber fui à primeira missa do ano 2008, ano em que esta congregação celebra 200 anos. Está-se mesmo a ver que houve história e houve festa! Houve um reverendo com dom da palavra, estilo Martin Luther King + Samuel L. Jackson com uma pitada de humor. Podia-se rir naquela igreja, ouvia-se cantar naquela igreja e no final batiam-se palmas. E via-se que ali queriam ser todos um só, sem pretensiosismos. E que todos estavam (mais uma vez) juntos na tentativa de melhorar a comunidade onde se encontravam. Muita emoção, foi o que foi. Fui logo fresquinho para o resto da passeata, e recomendo vivamente. Se todos os líderes tivessem a retórica daquele reverendo o meu canal favorito era o do parlamento.
Por fim, e como estamos na América, deixo-vos com este Cadillac que fotografei em Harlem. Depois de vos falar de tanta luta dos negros de Harlem é irónico que o modelo deste carro seja Colonial Cadillac. E esta héin?
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Depois de Harlem fui para o Upper West Side, em direcção ao Museu de História Natural. Passei lá a tarde e foi uma experiência a repetir. Aquilo é tão grande que têem uma baleia azul pendurada do tecto numa das galerias. Não tirei fotos porque acabaram-se-me as pilhas. Tiro para a próxima Mas deixo-vos desde já com um segredo. Pode-se entrar apenas com um donativo (por exemplo, um dólar) no Museu. Isto disse-me um tipo americano que conheci na entrada do museu. Claro está que em nenhum lugar vinha anunciado isso, e o preçário que se mostrava era 13$ para adultos. Até no guia que comprei em Portugal apenas vinha este preço. E pelos vistos no Metropolitan Museum of Art também é assim, à base de donativo! Vai-se a ver é em tudo o que é Museu, e digo-vos desde já que me estou bem a marimbar, se puder pagar 25cents para entrar no MoMa, é mesmo isso que faço!!! Há que dobrar o sistema a nosso favor, principalmente na Capital do império.
Para soltarem a tensão acumulada por causa dos que vos lixaram a cabeça,
Ena Pa 2000
e para os descontraír, na boa, good vibes...
Ali Farka Touré
BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!
(devo confessar que isto foi um post feito mais para saber se consigo pôr músicas no blog do que para outra coisa. Pelos vistos têm que esperar um pouco para que as músicas descarreguem no vosso computador. Divirtam-se com o sonzinho, se tiverem paciência. Alguma dúvida, deixem comentário. Entretanto por terras de índios e cowboys as notícias desenrolaram-se mais sobre As aventuras do Huckabee e do Obama no Iowa. Nomes giros, não?)
Post-scriptum, dois dias depois: Não consegui pôr a música como eu queria. Quando resolver aqui umas problemáticas informáticas pode ser que ponha a coisa a funcionar. Era fixe. Até lá ficam o nome dos tocantes que vos queria fazer ouvir. Um bem haja!
Há que tirar uma lição disto tudo. Tem de haver uma moral nesta história...
Após pagar a franquia, um dos lacaios do Dr. Phill levou-nos, a mim e a outros incautos, a uma tour de meia hora pela Downtown de Manhattan. Sujeito simpático mas cheio de informações irrelevantes. Ironia do destino, na hora anterior eu tinha percorrido exactamente os mesmos que sítios a que ele nos levou e após tanta trivialidade chegámos finalmente à Brooklyn Bridge, a tal que costumava ser a maior na altura em que foi construída (aliás os edifícios em NY têm essa particularidade, a de terem sido os maiores e os melhores lá bem atrás, na altura em que foram construídos, ultrapassados agora por uma qualquer torre do Dubai ou ponte em Banguecoque) Faltavam 3 minutos para o fim do ano. Os 3 últimos minutos de 2007 iriam ser minutos de suspense! De um lado Brooklyn, do outro Manhattan. Viam-se o Chrysler Building, o Empire State, enfim toda a coqueluche de mamarrachos. De onde viria o fogo de artifício? Que cores teria? Será que eu iria conseguir aguentar a emoção, com tanto cansaço? Que pena não ter trazido máquina fotográfica, passo a 1ª torre da ponte, continuo a andar até à 2ª ,é lá que se vê melhor o fogo, disse-nos o guia, passo a recta mais desocupada da ponte e de repente 3,2,1 (minto... não houve propriamente contagem decrescente).
Parte II
Lá ao fundo, do lado de Manhattan, depois do 3,2,1 imaginário, heis que se vê um esguichar luminoso. “Ah! Já é Ano Novo, que venha a catarse!” Depois, ainda do outro lado da muralha de arranha céus, um outro esguichar. E ainda mais ao fundo... uns clarões. Foram dois ou três minutos nisto. Lá ao fundo, atrás das paredes e janelas, uns clarões. Nada de grandes vibrações, nada de espanto, nada de côr. Apenas um “não estou a perceber isto muito bem...” na cara de toda a gente... “deve ter sido por causa da segurança”.
O que quer que tenha sido, a côr não passou do último andar.
Parte III
Todos na ponte tínhamos levado uma bofetada de happy new year. Uns levavam a bem, outros fingiram que não levaram a mal. Eu cá ria, só me ria, mas francamente, levei aquilo mesmo muito a mal! Afinal não tive fogo de artíficio digno desse nome. No país das maravilhas não pedia mais nenhum artíficio do que o do fogo festivo, e não o tive. Caramba!
Para estragar ainda mais a coisa, heis que aparece um helicóptero NYPD com um foco de luz monocromático a rasar a tribo (não tão) festiva da Brooklyn Bridge. Aquilo era para animar as hostes e ouviram-se urros de satisfação... é que afinal de contas, era Ano Novo!, e a cada passagem do feixe de luz mais uns urritos. Eu não percebi aquilo lá muito bem. Afinal de contas, nos filmes estes procedimentos fazem-se aos fugitivos de prisões de alta segurança e normalmente são seguidos de “freeze, stop right there, ratatatata”. É que ainda se fosse o fogo de artifício a sair daquela libélula mecânica, verde, azul, vermelho, sóis congregantes, happy new year... Mas não, era apenas luz branca e o pior de tudo, o barulho aflitivo do motor das hélices a fazer-me disparar o reflexo condicionado mais primário... o da fuga!
Parte IV
E pronto. Auscultadores postos Hard to Imagine e ala que se faz tarde. Metro, PennStation, comboio para Syosset, -3ºC, finalmente taxi para Cold Spring Harbor, e passas no quarto (nem me lembrei delas na ponte).
No rescaldo disto tudo custa-me a crer que não haja uma lição a tirar. Talvez o centro do mundo, por si só, não seja companhia suficiente para uma pessoa acolher o nascer de um novo ano.
Ps: se alguém tiver encontrado a sua lição pessoal nesta ou na vossa passagem de ano, por favor partilhe. Pode ser que dê para fazer umas quantas resoluções.
Estou no Dunkin' Donuts da 132 Nasau Street, mesmo perto do cemitério das Twin Towers e da vibrante jukebox financeira de Wall Street. Não sei bem o que fazer com o tempo que me resta de 2007. Entretanto passo-o num Dunkin’ Donuts...
O plano era simples, comer num sítio recomendado por uma revista de recomendações (Time Out NY) e partir para a descoberta de Nova Iorque by New Year’s Eve, ver o fogo de artíficio na Brooklyn Bridge e ir para casa. Pronto. Antes o plano era ainda mais simples. Ver a bola descer de Times Square. Pronto. Mas depois de me aconselhar vim a descobrir que:
1) a bola desce passadas 4 horas de sofrimento em pé (se se quiser ver a bola de facto a descer), 2) depois de se ser revistado, 3) e emparedado entre as grades de segurança, sozinho, juntamente com um milhão de pessoas,
Para além disso, não se podem levar bebidas alcoólicas, o que me levou a pensar que no meio da celebração iria ter que levar com uma alegria histérica estereotipada e não aditivada (portanto – falsa), para além de ter de gramar com os pombecos aos beijos a fazer resoluções de ano novo. Prefiro o fogo de artíficio.
Havia por isso o Plano B. Passar o fim de ano a ouvir à borla uma orquestra numa tal de Igreja de S. Bartolomeu onde mesmo mesmo na altura do ano novo se tocaria uma Fanfarra para um Homem Simples, de Aaron Copelan ... que é o mesmo que dizer, uma fanfarra dos tristes... Não era mau Aaron Copland – Fanfare for the Common ManEra capaz de ser inspirador, catárquico, um banho de humildade, partilhado com os simples, que é o mesmo que dizer, com os tristes. O problema de tudo isto é que não haveria fogo de artíficio, dentro da igreja não há fogo de artificio, não vá um projéctil chinês atingir o Cristo na Cruz e lá se vai o hospicioso ano de 2008 mergulhado na fúria apocalíptica! Resta-me então o Dr. Phill...
Part II
O 31 foi um dia cansativo. Comecei na Penn Station (34th Street), andei um pouco às voltas fui de metro até à 4th street, e desci a Broadway, depois de ter visitado a reputada Bleecker Street, com as suas lojas trendy e tal. Das lojas, só mesmo o tal e como a Bleecker Street é pouco maior que a Rua do Ouro tinha tempo suficiente para gastar a descer a Broadway a partir daí.
Tempo é pois o que me tem sobrado neste countdown. Como durante todo o finado 2007, não sei bem o que fazer das minhas horas.
Descendo a Broadway passei, sem saber, pelo Soho e a TriBeCa, cheias de lojas, menos trendys mas mais fashion e crowded e tal. Sem saber também, ainda passei por um cheirinho da Chinatown e fui parar já de noite, também sem querer, ao cemitério de 11 do 9 de 2001. Na Downtown vi uma igreja, queria descansar um pouco, dei a volta ao gradeamento à procura da porta de entrada e lá estava o Ground Zero, e a porta da igreja fechada. Pudera!, aquilo à volta parecia o Marquês quando o túnel estava ainda ser construído. Os heróis -na América há muitos heróis- estavam lá em baixo no buraco, a empacotar alicerces na lama em vésperas de ano novo. Por todo o lado se ouvia o bater acelerado do coração de betão – chunk! chunk! chunk!
Eram ainda sete, mas esta gente janta cedo. Procurei então o tal sítio recomendado - Bennie’s Thai Café. Estava fechado. Dentro do restaurante tailandês, um grupo de peruanos (ou parecido) estava já a preparar as festividades para acolher 2008. Olharam-me de lado quando me aproximei da porta, não deveriam querer partilhar comigo o ritual Inca de sacríficio da virgem que decerto preparavam. Acabei por isso a comer num chinês bastante duvidoso, daqueles que fariam corar os piores Mings da Mouraria. Pedi o que quer que o chinoca patrono me recomendasse, já que não percebia nada do menú. A minha última refeição de 2007 deve ter sido chinês emigrante feito em puzzle, com molho picante e bróculos. Visto bem as coisas, há que comemorar a ascensão da China a potência mundial, económica e cultural. Saí enjoado, bebi três tragos dos 250ml de Vodka que tinha comprado muito antes numa liquour store algures ao pé da Chinatown, dei três voltas ao quarteirão e fui à procura do Dr. Phill.
Part IV
No Dunkin’ Donuts do 132 da Nasau Street já estavam à espera de começar a tour um par de happy american families, mais uns quantos geeks vindos da Columbia Univ. Estava lá também uns comparsas e o próprio Dr.Phill, uma espécie de Michael Moore com um gorro rídiculo contra o frio e a forma engraçada que o pinguins têm de caminhar. Entretanto mais turistas incautos e famílias com licensa de porte de arma hereditária entravam para se inscrever na tour. Nessa altura percebi que a companhia dos tristes na sinfonia de ano novo teria sido uma escolha sábia...
Indeciso, dei três voltas ao quarteirão, sentei-me numa boca de incêndio a olhar para um arranha-céus alto e luminoso. Fumei um cigarro sobre o assunto. Uns tipos chinocas duvidosos pararam o carro ao pé de mim enquanto ouviam uma treta qualquer de hip-hop-R&B-Rap igual a tantas outras músicas que qualquer nova-iorquino que se preze ouve nesta cidade, sem distinção de cores, etnias ou o que seja. – Eles lá sabem, gostos não se discutem. Não obstante a presença do gangzito asiático não ter nada de mal, (preparavam-se também eles para comemorar a mudança significante nos calendários ocidentais) levantei-me da boca de incêncio e rumei ao Dunkin’ Donuts pronto a enfrentar o Dr. Phill, a colar um autocolante amarelo fluorescente e a dar um passeio pela Downtown by night a caminho da Brooklyn Bridge.
Part V
Estou sentado no Dunkin’ Donuts 132 da Nasau Street. Neste momento a clientela é mais que muita, o Dr. Phill já deve estar cheio de doláres e eu ainda não decidi o que fazer com as minhas últimas horas de 2008. Só sei que fico pior que estragado se o fogo de artifício não fôr ao menos semelhante ao do Terreiro do Paço.
Acho que esta é a 5th avenue. Mas pode ser também a 6th ou a 7th. Ou a Broadway. Por estas bandas da Midtown é tudo assim espectacular em grande e um pouco igual. Claro que andei aos círculos de um lado para o outro...
Aqui fica Times Square. Do lado esquerdo o NASDAQ. A ver quando é que a bolha rebenta outra vez...
E este é o famoso Rockefeller Center. A fotografia não apanha o topo do arranha-céus. Do mesmo mal padeceram as fotografias que tirei ao Empire State Building e ao Chrysler Building. Há que ver que isto assim não é muito bom para o turismo. Por outro lado é da maneira que se vendem mais postais. Ao centro está a árvore de Natal que todos os anos se acende nesta praça. Este ano as luzes são LEDs e são alimentadas por paineis solares colocados no topo do edifício. É o efeito Al Gore. Aquela estátua é o Prometeu e lá em baixo está o ringue de patinagem que se vê nos filmes. No entanto está cheio de family people, não tendo por isso tanto glamour...quase que parece o ringue da Tapada.
E aqui um momento de sossego... The Homecoming de Harold Pinter (numa revival da encenação ,comemorativo da sua estreia americana no Music Box em 1967 , levada a cena desta vez no Cort Theatre pelas mãos de Daniel Sullivan) . O que interessa dizer é que sem dúvida esta gente sabe fazer teatro. O dom da palavra e a importância de tudo o que não se diz. Como só consegui tirar a fotografia no intervalo e como dá para perceber estava bem lá em cima no último balcão aqui vai um link para mais fotos da peça. http://www.nytimes.com/packages/html/arts/20071223_HOME_FEATURE/index.html
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Nova Iorque é um mundo, mas isto é um caso-comum! Não sei se me aguento nas canetas e é provável que me passem muitas coisas ao lado. Agradecem-se humildemente sugestões. Sítios para ir, espectáculos para ver, coisas para comprar. Quem poderá fazer o obséquio de ajudar o sozinho?